Entrevista Denise Barreto

O nome dela é Denise Barreto, tem 39 anos, é formada em Administração de Empresas e é mãe do João de 6 anos e do Arthur de 3 anos.
A empreendedora de hoje é daquelas que põe a mão na massa e faz tudo acontecer. Dona de duas lojas de roupas no Tatuapé, a Stilo D, ela vai contar pra gente um pouco dessa jornada de sucesso.


“Sempre trabalhei no mundo corporativo, na área comercial, iniciando em uma Operadora de Turismo em 1996, depois 6 anos de Banco, concessionária de veículos e por último na Nextel Telecomunicações. Sempre amei moda, e sempre que eu usava uma roupa, alguém perguntava de onde era, me pediam dicas e etc., (eu era bem arrumadinha... 😂😂😂😂) e sempre amei ser CLT.

Quando o João nasceu, eu ainda estava de
Licença Maternidade e me separei do pai dele, depois de 11 anos juntos (5 de namoro e 6 de casada) e foi um momento muito difícil. Além do desequilíbrio emocional, vieram as perdas financeiras, e o psicológico ficou também totalmente abalado, triste, secou meu leite, não foi fácil.
Voltei a trabalhar e chorava o dia todo, Por ter que deixar o João na escolinha, separada, aquele vazio no armário, na casa, vazio na alma.
Pedi demissao na Nextel e fiquei mais 4 meses em casa pensando o que fazer da vida!

Uma amiga foi em casa almoçar comigo e me sugeriu trabalhar com moda, disse que eu tinha o maior jeito e tal. Fiquei pensando e fui conversar com outras amigas, pedir opiniões, conselhos.
Meus pais acharam um horror, disseram que lojinhas abriam e fechavam, que eu deveria voltar pro mercado de trabalho, mas senti no coração que seria uma boa opção empreender.

Uma grande amiga minha é filha da dona do salão ao lado da que seria a minha primeira loja e me falou que a mãe tinha uma lojinha vazia pra alugar. Eu fui conhecer e gostei muito😍 Vi uma grande oportunidade de fazer dar certo!



A princípio a vantagem de trabalhar “por conta” foi poder passar a parte da manhã com meu filho e abrir a loja meio-dia. Eu comprava mercadoria de segunda-feira e ia tocando o barco. Assim foi de Maio de 2013 a Novembro de 2013, mas senti que a loja precisava ter um horário fixo, mais certo, mais profissional mesmo! Foi quando contratei a primeira vendedora e passei a abrir às 9:30 e fechar às 18h. Com isso me sobrava mais tempo para as compras e quando tinha algum “problema pessoal” (coisa que eu tinha de sobra), a loja pelo menos estava aberta!

Eu me sinto privilegiada em levar meus filhos ao pediatra, na natação, fazer lição de casa e até mesmo não ir trabalhar quando eles não estão bem. Essas são as maiores vantagens para a mãe que trabalha fora - na minha opinião :)



Porém, existe uma grande desvantagem de não ter uma projeção sensata. Esse mercado é muito prostituído - primeiro porque eu concorro com sacoleira, com o Brás, com a José Paulino, com o Instagram, com as lojas online. Por se tratar de algo considerado como supérfluo - já que eu vendo fast fashion - mesmo depois de 5 anos, eu não tenho um faturamento coerente, porque a primeira coisa que a mulher mexe no orçamento quando precisa dar uma enxugada são as roupas, sapatos, make, ainda mais quando se trata de “modinha” que é o meu ponto forte!
Então eu não faço compras à prazo, eu não entro em financiamentos, porque meu mercado é inconstante! Fora isso não tenho férias, 13º sálario, FGTS e outros benefícios que com CLT eu estava acostumada.

Para escolher as peças da loja, eu procuro seguir as tendências de Fast Fashion.
Instagram é uma forte ferramenta também. Eu sigo a Thassia Naves, ela dita moda mesmo, eu vou na Zara, nas lojas de departamento e nas maiores lojas de Atacado do Bom retiro que também me inspiram como a Chocoleite, por exemplo. Sigo a Dani Cardoso, porque gosto do estilo dela, acho que combina bem com meu público. Fiz alguns cursos sobre Moda, cursos do Sebrae, com a Personal Vanessa Scisci, e vou me aculturando no dia a dia, mas acho que o feeling que se tem quando se gosta de algo, também conta muito!

Para a loja eu tento levar aquilo que eu usaria se eu trabalhasse no banco, fosse casada e tivesse filho já que 80% das minhas clientes tem este perfil. Eu fujo da linha piriguete, porque eu atenderia uma minoria e tento me colocar no lugar da cliente quando compro a mercadoria!
Com o passar dos anos, o meu preço subiu um pouco, mas a qualidade das peças melhorou também!
Comecei a comprar direto de confecções e isso encarece um pouco, mas também o produto tem matéria prima e acabamento melhor! Tem uma loja que gosto muito que é a Pressage. Não gosto das peças em si, mas gosto dos tecidos, das cores, combinações, e eles são bem antecipados às tendências. Tenho uma grande amiga estilista que é dona de uma marca chamada Shioo e ela viaja muito, traz muita coisa de fora também e me fala sempre com antecedência sobre as cores da Pantone, estampas e etc.
Em um dos meus cursos estudei sobre Emilio Pucci (pai das estampas) e acabo dando aquela “bisbilhotada” nas criações dele e por ai vai.

Vocês podem até não acreditar, mas até pouco tempo, eu não conhecia a Blogueira Boca Rosa mas confesso que esse mundo de blogueiras não me fascina mto porque tem muita gente fora da casinha, tipo ex bbb 🙄, ex a fazenda 👎🏽🙄🙄🙄, então vou no Pinterest, pego umas matérias que me interessam e vou me aculturando. Através do Sebrae também criamos um network legal para trocarmos figurinhas entre empreendedores da área.

Minha dica pra quem quer empreender, é não ter medo, mas ter o pé no chão, sem deslumbramentos e ostentação !
Trabalhar com amor e responsabilidade. E ser verdadeira no que se faz!

Eu sou ansiosa, compro mercadoria, descarrego na loja e pretendo precificar na parte da tarde quando meu movimento é fraco... no entanto as clientes entram, e eu vou abrindo malas, fardinhos, sacolas e ja vou mostrando o que chegou e vira a maior bagunça... 🤦🏽‍♀
Algumas clientes amam essa “baderna”, outras abominam e não voltam mais.... mas essa sou eu... 🤷🏽‍♀ ... emoção com ansiedade....🤪🤪🤪

Encorajo sempre as pessoas empreenderem com aquilo que amam. É muito dificil alguém não dar certo fazendo algo com amor.... ❤ e ainda que não se tenha o retorno financeiro grande, existe a realização pessoal de fazer o que gosta.

(Parênteses para vida pessoal: com 1 ano e 8 meses de separada, conheci o Ricardo, namoramos 10 meses, casamos e tivemos o Arthur 😍😍😍 não necessariamente nessa ordem 😂😂😂 porque engravidei antes de casar... 🤷🏽‍♀... costumo dizer q ele me deu o golpe da barriga porque ele dizia que não poderia ter filhos 😂😂 mas minha familia é minha maior riqueza! Estamos juntos há
4 anos e meio).


Não da pra ficar rica trabalhando com roupas como eu trabalho.... a margem de lucro é baixa, as peças precisam ser baratas e eu tenho muitas concorrentes, mas pelo fato de ter 2 filhos dependentes e pequenos, eu gozo de uma qualidade de vida, que hoje pra mim é mais importante que conforto financeiro nesse momento!

Amo o que faço, faço com amor como eu posso! ❤”

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