Entrevista Lilian Paolini da Fouet


Ela mistura ingredientes doces com muito talento e os transforma em pedaços de felicidade. E se você acha que eu posso estar exagerando pode perguntar para os clientes que formam filas todos os dias na Fouet.

A Lilian Paolini Moscopf tem 30 anos, é formada em gastronomia e vai dividir com a gente como ela realizou o sonho de ter uma confeitaria linda cheia de delícias feitas por ela.


Como você começou nesta área da confeitaria  ? Trabalhava em outra área antes ?

Bom pra começar sempre amei cozinhar e fazer pão com a minha avó por parte de pai e desde pequena já gostava de fazer doces . 

Sai do ensino médio querendo fazer gastronomia, porém era uma faculdade muito nova e cheia de preconceitos. 

Todos os restaurantes em que trabalhei sempre acabava indo pra parte de confeitaria do lugar e fui me apaixonando cada dia mais por este mundo.

Qual foi o momento que você decidiu se tornar dona do seu próprio negócio?

Esse foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Eu já tinha trabalhado muito para os outros mas eu sentia uma vontade muito grande de ter uma confeitaria fofa, delicada. Mas eu tinha muito medo de não dar certo, então decidi iniciar venda pela internet, no Facebook  e na época vendia muito no boca a boca e me especializei fazendo muitos cursos de confeitaria.

O momento mesmo que decidi abrir uma porta foi após uma Páscoa e eu tive que chamar uma amiga pra me ajudar com as encomendas, pois sozinha não daria conta. Lembro do cheiro do apartamento da minha mãe, era puro chocolate. Eu cheguei a virar 24h acordada fazendo os ovos !

Na época eu estava noiva e meu noivo virou pra mim e falou “vamos, eu vou te ajudar a investir nesse seu sonho aí”. Ele foi meu maior apoio. 


Quais as vantagens de ser empreendedora ? E as principais dificuldades?

Vantagens tem algumas, se você estruturar seu comércio pode sair a hora que quiser, fazer seu horário e resolver suas coisas. Ainda não tenho filhos mas quando tiver sei que conseguirei levar e buscar na escola, participar de certos momentos que muitas mulheres hoje não conseguem por ter que sair todos os dias pra trabalhar e não ter hora para voltar.

As dificuldades são mão de obra, gente comprometida e os impostos do nosso país que são bem altos.  Lidar com pessoas e liderá-las é um desafio e um aprendizado todos os dias, mas Deus tem me capacitado e peço a direção dele pra que eu consiga todos os dias.

Conta um pouquinho também sobre como você escolhe os doces, os sabores dos bolos e a decoração da loja (que é linda !)

Como eu escolho ?  comendo rsrsrsrs !  Comendo muito doce por aí , por São Paulo , fora de São Paulo, no Brasil e fora do Brasil.

O paladar é o mais importante no meu ramo. Você precisa provar e não precisa copiar, porque todo mundo tem que dar seu toque especial.

Os sabores dos bolos eu procuro muito atender aos clientes, porque o seu cliente  pode não ser um confeiteiro mas todo mundo tem um chef de cozinha dentro de si . 

Então às vezes o cliente vem até a loja e fala: “não gosto de doce de leite, você não tem nada com chocolate amargo?”. Pronto, isso basta para atiçar a minha criatividade, porque aí eu fico buscando como eu posso chegar no chocolate meio amargo com qual sabor e assim vai indo. Fico muito de olho nas novidades, nas feiras e nos perfis coreanos, franceses e americanos do Instagram.  

Eu amo a confeitaria da França, da Itália e dos EUA e sempre tento trazer um pouquinho de cada pra cá.


Quais mulheres mais te inspiram ?

Muitas mas eu adoro as Carole Crema em especial , ela arrasa nos doces e nas tendências. 

A Amelia Lino conquistou recentemente meu coração, a historia dela é incrível e o talento que essa mulher tem com flores em chantininho é  impecável.

Você teria alguma dica para quem quer empreender também? 

Eu digo que todo mundo tem que empreender, mas naquilo que ama e sabe fazer pois eu jamais abriria algum comércio que eu não soubesse fazer. 


O amor está em tudo, em cada detalhe, na pitanga do bolo, no jogar dos confeitos do cupcake, tudo isso passa pro cliente. Quando você faz com amor, o cliente sente amor . Cozinhar para os outros é um dom. Eu me sinto realizada quando vejo que alguém comeu um bolo meu e lembrou do sabor do bolo que a Vó fazia, juro, é uma felicidade, uma satisfação que não tem preço, tem coisas que dinheiro nenhum paga ! 

Um elogio da decoração que veio da sua cabeça, cada detalhe que o cliente percebeu que é um mimo . 

Tudo que faço aqui não é pra mim e sim pra cada cliente que entra aqui. Eu quero que eles se sintam fora do ambiente de trabalho, onde encontram paz, aconchego de casa de vó, realmente saiam do ambiente corporativo.

A confeitaria da Lilian é a Fouet e fica bem pertinho da empresa que a Thea e eu trabalhamos e de fato dá para sentir esse amor em cada detalhe. Além disso os doces são incríveis e o doce folhado é o melhor que eu já comi, juro ! 

Postagens mais visitadas